‘Aftersun’, ‘A Mulher Rei’ e ‘Carvão’: confira os filmes dirigidos por mulheres na última semana do 49º FSMF

20 abr 2023

O 49º Festival Sesc Melhores Filmes entra em sua última semana. Até o dia 26 de abril, ainda é possível ver e rever na telona do CineSesc alguns dos títulos favoritos do público e da crítica que foram lançados no ano passado. Na reta final, o destaque da programação recai sobre as produções dirigidas por cineastas mulheres, que inclui alguns dos vencedores desta edição do festival, como “Aftersun”, de Charlotte Wells, o documentário “Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo”, de Taciana Oliveira, e “A Mulher Rei”, de Gina Prince-Bythewood. 

“Aftersun” teve a sua estreia mundial em maio de 2022, durante o Festival de Cannes. Não ganhou nenhum prêmio por lá, mas angariou uma legião de admiradores que posicionou o drama britânico entre os melhores títulos exibidos no festival francês. No decurso do ano passado, com a efusiva aprovação da crítica e o merecido destaque que recebeu na mídia, “Aftersun” foi sendo descoberto pelo público e amplamente recomendado nas redes sociais e rodas de conversa. Chegou com fôlego nas principais premiações de cinema – inclusive no Oscar – e segue sendo um filme adorado pelos espectadores.  

Cena do do fillme "Aftersun, de Charlotte Wells.
Paul Mescal e Frankie Corio em “Aftersun”. Foto: Divulgação

Nesta edição do Festival Sesc Melhores Filmes, “Aftersun” levou três prêmios: Melhor Filme Estrangeiro (crítica) e Melhor Ator Estrangeiro para o irlandês Paul Mescal (público e crítica). É o primeiro longa-metragem da promissora Charlotte Wells, uma jovem cineasta de apenas 35 anos que filma com a maturidade de uma veterana. O filme é inspirado em suas próprias memórias e acompanha alguns dias de férias de uma garota com o seu pai, na Turquia. A relação entre eles, bem como as particularidades de cada um, evocam emoções genuínas em uma história sobre afeto e lembranças. 

“Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo” foi escolhido pelo júri popular como o Melhor Documentário no 49º FSMF. O longa é um ensaio documental criado a partir de uma seleção de depoimentos de Clarice, intercalado com entrevistas realizadas com amigos e familiares da escritora. O documentário ainda promove uma costura poética visual de trechos adaptados de sua obra, entre contos e romances que marcaram a literatura mundial do século XX. “Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo” terá a sua última sessão na programação do festival no dia 24 (segunda-feira), às 15h, e terá disponível recurso de audiodescrição.  

Cena do documentário "Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo"
Cena do documentário “Clarice Lispector – A Descoberta do Mundo”. Foto: Divulgação

Outro título dirigido por uma cineasta mulher que está entre os vencedores do 49º FSMF é “A Mulher Rei”, que, de acordo com os votos democráticos do público, é estrelado pela Melhor Atriz Estrangeira do ano passado: a espetacular Viola Davis. No épico, repleto de cenas de ação, ela interpreta a general Nanisca, que lidera um grupo de guerreiras responsável pela proteção do reino de Dahomey, na África do século XIX. As personagens de “A Mulher Rei” são fictícias, mas todo o contexto histórico resgata a trajetória verídica das Agojie, um grupo de elite do exército africano, integralmente formado por mulheres, que eram reconhecidas pela coragem e agilidade nas lutas.  

É válido mencionar que um diferencial que torna “A Mulher Rei” um projeto muito especial é a diversidade conferida atrás das câmeras. Diversas mulheres artistas e profissionais do audiovisual assumem funções que são fundamentais para o êxito do filme, como o roteiro (Dana Stevens e Maria Bello), a direção de fotografia (Polly Morgan), a montagem (Terilyn A. Shropshire) e o inspirado design do figurino (Gersha Phillips). “A Mulher Rei” na tela do cinema é um programa imperdível e terá a sua última exibição no dia 25 (terça-feira), às 20h30.  

O nacional “Carvão”, poderoso filme de estreia de Carolina Markowicz, também se destaca na programação do festival, com duas exibições nesta semana derradeira: dia 22 (sábado), às 17h, e no dia 26 (quarta-feira), às 18h. A história se passa em uma cidade interiorana e relata o dilema enfrentado por uma família que se esforça para cuidar de seu patriarca quando recebe uma oferta perversa de uma enfermeira, dando início a uma trama que envolve hospedar um traficante argentino que precisa urgentemente de um lugar para se esconder. 

Uma mulher negra cabelos cacheados vestindo boné e camiseta vermelhos segura uma galinha pelos pés. A imagem é uma cena do filme Carvão, de Carolina Markowicz.
Maeve Jinkings em “Carvão”. Foto: Divulgação

“Carvão” é um filme inquieto e provocativo, que explora o lado obscuro da psique humana. No elenco, estão Maeve Jinkings, Rômulo Braga, Camila Márdila, César Bordón e Aline Marta. Em ambas as sessões do filme, serão disponibilizados recursos de acessibilidade em libras, audiodescrição e legendas descritivas. 

O documentário “Amigo Secreto”, de Maria Augusta Ramos, e a tragicomédia “Boa Sorte, Leo Grande”, de Sophie Hyde, também serão exibidos na última semana de programação do 49º Festival Sesc Melhores Filmes. O primeiro, de cunho político, acompanha os desdobramentos que colocaram em descrédito o julgamento da Operação Lava Jato, como o vazamento de mensagens suspeitas do então juiz Sérgio Moro. Já “Boa Sorte, Leo Grande” é um simpático filme independente protagonizado por Emma Thompson em mais uma atuação soberba, no papel de uma mulher sexagenária que contrata um garoto de programa para ter uma noite de prazer.  

Para conferir os dias e horários das sessões, e garantir antecipadamente o seu ingresso, clique aqui. Lembrando que os espectadores que votaram no festival e receberam um ingresso por e-mail podem realizar a troca na bilheteria. 

Para assistir em casa

Por último, mas não menos importante: na plataforma Sesc Digital, está disponível até o dia 26 de abril o acachapante “O Acontecimento”, de Audrey Diwan, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza. O drama é baseado no romance autobiográfico da escritora Annie Ernaux, e narra a história de uma jovem de família humilde que resolve fazer um aborto em 1963, quando a prática ainda era ilegal na França. Assista gratuitamente em sescsp.org.br/cinemaemcasa

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